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Pombalense Fausto Borges lança seu primeiro Livro de Filosofia

Pombalense Fausto Borges lança seu primeiro Livro de Filosofia

Esse livro de Fausto Borges (2019) aparece como um colírio refrescante no horizonte da literatura humanista, especificamente de viés filosófico. Apesar de poucas páginas, é um livro intenso e oportuno. O autor trata dos argumentos de modo existencial e acessível. Sou testemunha que esse argumento sempre fascinou o autor desde o início no curso de filosofia onde eu lecionava. Mais tarde tive o privilégio de acompanhar o autor na construção do seu trabalho de especialização em filosofia. A sua inquietude e a sua busca por compreensão e logicidade nos argumentos e proposições filosóficas não poderiam ter desembocado senão numa investigação de cunho metafísico como é a proposta do livro. A espessura intelectual dos assuntos tratados permite a releitura desses temas filosóficos por uma ótica bastante dialógica e experiencial. 

O autor é feliz em deixar de lado as polêmicas de pura elucubrações mentais acerca da temática tratada e caminha por uma estrada mais palpável. Um dos méritos deste livro é ter traduzido numa linguagem e numa corporação atual situações que, de um modo ou de outro, sempre acalentou a reflexão filosófica.  Os seis espinhosos argumentos que o autor trata no livro, arrematado pelo item final sobre a relevância e utilidade de suas proposições, é um convite a se debruçar ainda mais na dinâmica que constitui a formação intelectual e cultural da pessoa. É uma temática básica da teodiceia, ou seja, da parte final da metafísica e que muitos transcuram por preconceito ou por falta de interesse.

O livro vem todo encadeado por questionamentos e interrogativos sobre o que se trata. Iniciando pela relação entre fé e razão, passando pelos argumentos de um possível conhecimento racional da realidade absoluta, ou seja, Deus. Essas provocações partem do dado histórico e sua ambiguidade, atravessando a esfera moral e a causalidade para focar na construção ontológica, que é formado pela incidência da lógica com o conhecimento experimental. O último tema é a grande pedra no calçado dos estudiosos: a presença do mal e o desafio que ele impõe à vontade e ao intelecto.

Por fim, o autor arremata se perguntando: qual a utilidade desses argumentos? A sua conclusão é que todos procuram uma razão para viver, e os apontamentos a favor da fé oferecem pistas para encontrar o sentido da vida. Vale a pena ler e degustar esse livro. É uma oportunidade maravilhosa de se debruçar em questões que afetam a todos e ainda se deliciar com indicações de como isso pode ajudar na elaboração de uma filosofia mais humanizada e que dialogue com a população em geral. Agradeço imensamente o convite para escrever a apresentação do livro. Na verdade, um grande prazer, pois possibilita uma renovação na trajetória de estudos da área metafísica. 

Por Padre Jorge Ribeiro, Reitor da Faculdade Católica de Feira de Santana.